16 de janeiro de 2013

JEAN-MICHEL BASQUIAT: coroas aos "famosos atletas negros"





Grafite de SAMO©
Still de vídeo, Nova Iorque, 1980-81.
Jean-Michel Basquiat (1960–1988) nasceu no Brooklyn, filho de pai haitiano e mãe porto-riquenha. Desde pequeno, apresentou talento para o desenho. Aos 6 anos foi atropelado e internado, ganhando de sua mãe um atlas de anatomia para passar o tempo no hospital, fato que influenciou os temas de suas pinturas no futuro. Tornou-se notório na música e principalmente pelo seu trabalho de grafite, com mensagens de texto assinadas pelo nome SAMO© ("same old shit") na região de Lower Manhatan, ainda menos valorizada na década de 1980, em Nova Iorque. 


Untitled, 1981
(Famous negro athletes)
Tais grafites influenciariam seu trabalho posterior em pintura, sobretudo uma série de desenhos com textos-imagens de 1981, contendo uma palavra, uma frase curta ou uma simples imagem referindo-se a uma pessoa ou fato.
Em 1981, aos 20 anos, passou a vender pinturas nas galerias do Soho, tornando-se um dos principais artistas de sua geração, sendo reconhecido por colecionadores, galeristas e críticos pela originalidade, profundidade emocional, iconografia singular e habilidades no uso de cores, desenhos e composições de sua obra. Nesta época iniciou uma fase relevante em sua carreira, quando realizou trabalhos definitivos para sua trajetória no movimento neo-expressionista, como: “Untitled (Head)” (1981), “Acque Pericolose” (1981), “Per Capita” (1981), “Notary” (1983), e “La Colomba” (1983).
Na obra “Per Capita” (1981), Basquiat inicia uma iconografia de personagens como boxeadores, guerreiros e outras figuras heroicas masculinas, também presentes, p. ex., nos trabalhos: “Untitled (Self-Portrait), 15”, “Boy and Dog in a Johnnypump” (1982), “Untitled (Boxer)” (1982), and “Profit I” (1982).




Per Capita, 1981
Brandt Foundation
Em Per Capita, acredita-se que a auréola radiante sobre a cabeça do lutador de boxe, assim como a tocha em sua mão esquerda, fazem homenagem ao boxer olímpico Classius Clay [Muhammad Ali], em face à tocha olímpica usada nas cerimônias de abertura dos Jogos Olímpicos, presentes em outros trabalhos do mesmo artista.
A “coroa” é como uma “assinatura” nas obras de Basquiat. Em algumas delas, aparece acima de um nome ou de um desenho que representa uma figura, geralmente um dos seus heróis, atletas como Sugar Ray Robinson, Cassius Clay, Hank Aaron; ou músicos de jazz, como Charlie Parker e Dizzy Gillespie. Além da coroa, Basquiat também utilizava “auréolas”, enquanto símbolos de honra, para enobrecer seus ícones.
Untitled (Helmet), 1981
Colação de Leo Malca




Famous Negro Athletes, 1981



St Joe Louis Surrounded by Snakes, 1982


Sugar Ray Robinson, 1982


Cassius Clay, 1982


Jersey Joe Walcott, 1982


Untitled (boxer), 1982


Orange Sports Figure, 1982

Tendo iniciado sua carreira com o grafite, como artista profissional, Basquiat fez da linguagem uma dimensão muito importante de sua obra, que em alguns casos, não apresenta figuração, apenas palavras que ocupam todo o plano da tela, como na obra Pegasus [1987].

Pegasus, 1987
Algumas vezes, a linguagem foi usada para a elaboração de temas. Em algumas obras há listas ou diagramas de palavras com significados aproximados, noutras uma repetição de palavras. Em alguns trabalhos, a linguagem desempenha uma função importante na narrativa da composição. Apesar de não ser o único artista a utilizar o texto na obra na década de 1980, foi talvez o que melhor integrou texto e imagem de uma forma dinâmica na mesma obra através do desenho, da escrita e da pintura.
Entre 1983 e 1985, Basquiat desenvolveu uma série de trabalhos com Andy Warhol, tal como “Olympic Rings”, de 1985, feito após os Jogos Olímpicos de verão realizados em Los Angeles. Na obra, é nítida a intervenção de Warhol nos anéis estilizados, enquanto Basquiat introduz a pintura de uma máscara negra, crê-se, fazendo alusão aos atletas negros do passado, como Jesse Owens e Carl Lewis.

Olympic rings, 206 x 466 cm, 1985
Andy Warhol & Jean-Michel Basquiat

Olympics, 1984
Andy Warhol & Jean-Michel Basquiat

Litografia off set sobre papel, 1985
[Edição desconhecida]
Editores: Tony Shafrazi e Bruno Bischofberger
Em 1985, Andy Warhol e Jean-Michel Basquiat fizeram uma exposição em co-autoria em Nova Iorque, com organização de Tony Shafrazi e Bruno Bischofberger, cujo pôster tornou-se famoso,  apresentando ambos artistas, o ícone da Pop Arte e o artista de rua, com luvas de boxe e punhos cerrados.  
Seus trabalhos falam de um “jovem artista negro” num “mundo da arte branco”, muitas vezes representado pela dicotomia das cores preta e branca nas estratégias de sua produção artística. Estas dicotomias fazem parte de vários trabalhos que abordam questões como pobreza/riqueza, integração/segregação, inclusão/exclusão.
Em 1985, Basquiat foi capa da “The New York Times Magazine”. Faleceu precocemente, em 1988, aos 27 anos.

Fontes
Disponível em: http://www.basquiat.com/artist.htm# Acesso em: 26 dez. 2012.
Disponível em: http://www.brooklynmuseum.org/exhibitions/basquiat/crowns-halos-heroes.php Acesso em 26 dez. 2012.

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