13 de maio de 2013

A dança em Matisse e Degas nos Museus Metropolitam e MoMA [NY]


Os franceses Edgar Degas [1834-1917] e Henry Matisse [1869-1954] foram dois artistas que produziram esculturas e pinturas que tematizaram a dança nos séculos XIX e XX. O primeiro deles produziu uma série de pinturas a óleo sobre tela ou pastel sobre papel com bailarinas em posições de ballet ou durante uma rotina de aula. No quadro "A aula de dança", à esquerda, na foto abaixo, Degas pintou um grupo de 24 bailarinas e suas mães durante um teste dirigido por Jules Perrot, um famoso bailarino e professor de dança europeu, numa sala da Ópera de Paris. O quadro levou dois anos para ser finalizado por Degas. O artista também se dedicou à escultura, produzindo bailarinas em diferentes posições de dança, dentre as quais destaca-se a obra "Pequena bailarina de quatorze anos", no centro, abaixo. No Brasil, o Museu de Arte de São Paulo (MASP) possui um exemplar de uma bailarina em bronze, de Degas.

[Esq.] A aula de dança - Edgar Degas - óleo s/ tela - 83.5 x 77.2 cm - 1874.
[Centro] Pequena bailarina de quatroze anos - Edgar Degas - 97.8 x 43.8 x 36.5 cm, bronze - 1880.
[Dir.] Bailarinas praticando na barra - Edgar Degas - óleo s/ tela - 75.6 x 81.3 cm - 1877.
[Metropolitan Museum of Art]


Conjunto de esculturas de bailarinas em diferentes posições - Edgar Degas - segunda metade do séc. XIX - bronze, dimensões variadas.
[Metropolitam Museum of Art]
Nastúrcios com a pintura ´Dança´
Henri Matisse
Óleo s/ tela
191.8 x 115.3 cm
1912
[Metropolitan Museum of Art]
Na pintura abaixo, Matisse pintou a vista de seu ateliê, em Issy-les-Molineaux, sudoeste de Paris, em 1912. A pintura retrata o fragmento de uma cadeira e uma mesa com um vaso de nastúrcios. Atrás, o artista reproduz parte de sua famosa pintura "Dança I" (1909), exposta no Museu de Arte Moderna de Nova Iorque (MoMA).
 
Matisse pintou "Dança I" no início de março de 1909, para apresentá-la ao russo Sergei Shchukin, que após vê-la, encomendou, no final do mesmo mês, dois grandes painéis decorativos: "Dança" e "Música", expostos atualmente no Museu Hermitage. Na obra, observa-se cinco dançarinas [uma sexta foi apagada pelo artista, cujos sinais do desenho a carvão, na esquerda inferior da pintura, ainda podem ser vistos], dançando em círculo, imagem esta presente no fundo de sua pintura "Le bonheur de vivre", feita em 1905-1906. Podemos supor que a dança ocorre no alto de uma colina, mas o artista afirmou: "Quando eu uso o verde, isto não significa grama; quando uso o azul, não significa o céu; todas as minhas cores significam juntas, como um acorde na música".
 
 
 
Dança I
Henri Matisse
Óleo s/ tela
259.7 x 390.1 cm
1909
[Museum of Modern Art]

Fontes:
 
ELDERFIELD, J. (Ed.). Modern painting and sculpture: 1880 to the presente at the Museum of Moderno Art. New York: MoMA, 2010.
WHELCHEL, M. A.; URBANELLI, E. The Metropolitan Museum of Art Guide. New York: MET, 2012.


9 de maio de 2013

O esporte na coleção grega do Metropolitan Museum of Art (MET)

O Metropolitan Museum of Art [MET], localizado na cidade de Nova Iorque, contém uma coleção de arte grega e romana com mais de 17 mil peças, que datam de 4.500 a.C. até 330 d.C.
As cerâmicas gregas de terracota, representadas por ânforas e outros objetos aqui apresentados, datam do século V a.C. e trazem a representação de lutas, arremesso de disco e corridas. A corrida de cerca de duzentas jardas representada nas duas ânforas, abaixo, era um dos eventos dos Jogos Panatenaicos, na cidade de Atenas, que conferia como prêmio uma ânfora cheia com óleo de oliva. 






Ânforas Panatenaicas de terracota, Grécia, 566-550 a.C.
Atribuída ao pintor Anphiletos.
 
 
Além disso, algumas esculturas reproduzem atletas gregos em atividades relativas ao que no futuro denominamos de "atletismo". A figura abaixo é interpretada como um atleta levando o disco acima da cabeça com a mão esquerda, para transferi-lo para a direita e preparar-se para o arremesso. A beleza da estátua recai sobre a fisionomia calma e concentrada, parte do corpo perfeitamente desenvolvido e disciplinado do atleta grego [trad.].
 

Arremessador de disco [bronze]
Grécia, 480-460 a.C.
 


Trabalhos do 12º Salão Nacional de Arte de Jataí [GO]

 

Série "Janelas" - S/ Título
Impressão de carbono e guache s/ papel
32 x 24 cm [cada]
2012

7 de maio de 2013

12º Salão Nacional de Arte de Jataí - MAC-GO - 2013

É com prazer que convido a todos/as para comparecerem no 12º Salão Nacional de Arte de Jataí, com abertura no dia 15 de maio, no Museu de Arte Contemporânea, a partir das 20h. Estarei participando com um díptico da série "Janelas". 
 Artistas selecionados:
 Alice Lara - Pintura - Vicente Pires - DF; Ana Carolina Druwe - Objeto - São Paulo - SP; Ana Maier - Objeto - Rio de Janeiro - RJ; André Terayama - Vídeo - São Paulo - SP; Bruno Costa - Fotografia - Curitiba - PR; Cecília Walton - Gravura - São Paulo - SP; David Almeida - Pintura - Brasília - DF; Edney Antunes - Objeto - Aparecida de Goiânia - GO; Evandro Soares - Desenho - Goiânia - GO; Fabiano Devide - Pintura - RJ; Fabíola Notari - Gravura - SP; Gabriel Petito - Pintura - SP; Grupo Extintas - Fotografia - SP; Helô Sanvoy - Desenho - GO; Júlio Lapagesse - Desenho - DF; Leães - Fotografia - RS; Luciano Favaro - Objeto - SP; Lula Ricardi - Fotografia - SP; Marcele Campanini - Instalação -  SP; Maria Fernanda Lucena - Pintura - RJ; Marcos Muniz - Fotografia - SP; Marina Polidoro - Desenho - RS; Roberto Müller - Objeto/fotografia - RJ; Samantha Canovas - Pintura - DF; Santiago Selon - Pintura - GO; Weimar - Pintura - SP.
 

17 de abril de 2013

Seleção para o 12º Salão Nacional de Arte de Jataí - Museu de Arte Contemporânea [GO]

 
 
O 12º Salão Nacional de Arte é uma realização da Prefeitura Municipal de Jataí, desenvolvido pela Secretaria Municipal de Cultura e Museu de Arte Contemporânea. A mostra acontecerá do dia 15 de maio a 02 de agosto, reunindo obras de arte contemporânea nas seguintes categorias: desenho, gravura, escultura, objeto, pintura, instalação, fotografia, videoarte e performance. O objetivo do evento é expor as obras de arte contemporânea de forma que propicie a reflexão sobre a produção cultural brasileira. Entre os 476 inscritos foram selecionados para compor a exposição os 26 artistas citados abaixo:

Alice Lara - Pintura - Vicente Pires - DF
Ana Carolina Druwe - Objeto - São Paulo - SP
Ana Maier - Objeto - Rio de Janeiro - RJ
André Terayama - Vídeo - São Paulo - SP
Bruno Costa - Fotografia - Curitiba - PR
Cecília Walton - Gravura - São Paulo - SP
David Almeida - Pintura - Brasília - DF
Edney Antunes - Objeto - Aparecida de Goiânia - GO
Evandro Soares - Desenho - Goiânia - GO
Fabiano Devide - Pintura - Rio de Janeiro - RJ
Fabíola Notari - Gravura - São Paulo - SP
Gabriel Petito - Pintura - Piracicaba - SP
Grupo Extintas - Fotografia - São Paulo - SP
Helô Sanvoy - Desenho - Aparecida de Goiânia - GO
Júlio Lapagesse - Desenho - Brasília - DF
Leães - Fotografia - Porto Alegre - RS
Luciano Favaro - Objeto - São Paulo - SP
Lula Ricardi - Fotografia - São Paulo - SP
Marcele Campanini - Instalação - Itapira - SP
Maria Fernanda Lucena - Pintura - Rio de Janeiro - RJ
Marcos Muniz - Fotografia - São Paulo - SP
Marina Polidoro - Desenho - Porto Alegre - RS
Roberto Müller - Objeto/fotografia - Rio de Janeiro - RJ
Samantha Canovas - Pintura - Brasília - DF
Santiago Selon - Pintura - Goiânia - GO
Weimar - Pintura - Ribeirão Preto - SP
Júri de Seleção: Matias Monteiro (Bienal de São Paulo), Elza Gabriela (IFG), Clara Lima (MAC)

16 de janeiro de 2013

JEAN-MICHEL BASQUIAT: coroas aos "famosos atletas negros"





Grafite de SAMO©
Still de vídeo, Nova Iorque, 1980-81.
Jean-Michel Basquiat (1960–1988) nasceu no Brooklyn, filho de pai haitiano e mãe porto-riquenha. Desde pequeno, apresentou talento para o desenho. Aos 6 anos foi atropelado e internado, ganhando de sua mãe um atlas de anatomia para passar o tempo no hospital, fato que influenciou os temas de suas pinturas no futuro. Tornou-se notório na música e principalmente pelo seu trabalho de grafite, com mensagens de texto assinadas pelo nome SAMO© ("same old shit") na região de Lower Manhatan, ainda menos valorizada na década de 1980, em Nova Iorque. 


Untitled, 1981
(Famous negro athletes)
Tais grafites influenciariam seu trabalho posterior em pintura, sobretudo uma série de desenhos com textos-imagens de 1981, contendo uma palavra, uma frase curta ou uma simples imagem referindo-se a uma pessoa ou fato.
Em 1981, aos 20 anos, passou a vender pinturas nas galerias do Soho, tornando-se um dos principais artistas de sua geração, sendo reconhecido por colecionadores, galeristas e críticos pela originalidade, profundidade emocional, iconografia singular e habilidades no uso de cores, desenhos e composições de sua obra. Nesta época iniciou uma fase relevante em sua carreira, quando realizou trabalhos definitivos para sua trajetória no movimento neo-expressionista, como: “Untitled (Head)” (1981), “Acque Pericolose” (1981), “Per Capita” (1981), “Notary” (1983), e “La Colomba” (1983).
Na obra “Per Capita” (1981), Basquiat inicia uma iconografia de personagens como boxeadores, guerreiros e outras figuras heroicas masculinas, também presentes, p. ex., nos trabalhos: “Untitled (Self-Portrait), 15”, “Boy and Dog in a Johnnypump” (1982), “Untitled (Boxer)” (1982), and “Profit I” (1982).




Per Capita, 1981
Brandt Foundation
Em Per Capita, acredita-se que a auréola radiante sobre a cabeça do lutador de boxe, assim como a tocha em sua mão esquerda, fazem homenagem ao boxer olímpico Classius Clay [Muhammad Ali], em face à tocha olímpica usada nas cerimônias de abertura dos Jogos Olímpicos, presentes em outros trabalhos do mesmo artista.
A “coroa” é como uma “assinatura” nas obras de Basquiat. Em algumas delas, aparece acima de um nome ou de um desenho que representa uma figura, geralmente um dos seus heróis, atletas como Sugar Ray Robinson, Cassius Clay, Hank Aaron; ou músicos de jazz, como Charlie Parker e Dizzy Gillespie. Além da coroa, Basquiat também utilizava “auréolas”, enquanto símbolos de honra, para enobrecer seus ícones.
Untitled (Helmet), 1981
Colação de Leo Malca




Famous Negro Athletes, 1981



St Joe Louis Surrounded by Snakes, 1982


Sugar Ray Robinson, 1982


Cassius Clay, 1982


Jersey Joe Walcott, 1982


Untitled (boxer), 1982


Orange Sports Figure, 1982

Tendo iniciado sua carreira com o grafite, como artista profissional, Basquiat fez da linguagem uma dimensão muito importante de sua obra, que em alguns casos, não apresenta figuração, apenas palavras que ocupam todo o plano da tela, como na obra Pegasus [1987].

Pegasus, 1987
Algumas vezes, a linguagem foi usada para a elaboração de temas. Em algumas obras há listas ou diagramas de palavras com significados aproximados, noutras uma repetição de palavras. Em alguns trabalhos, a linguagem desempenha uma função importante na narrativa da composição. Apesar de não ser o único artista a utilizar o texto na obra na década de 1980, foi talvez o que melhor integrou texto e imagem de uma forma dinâmica na mesma obra através do desenho, da escrita e da pintura.
Entre 1983 e 1985, Basquiat desenvolveu uma série de trabalhos com Andy Warhol, tal como “Olympic Rings”, de 1985, feito após os Jogos Olímpicos de verão realizados em Los Angeles. Na obra, é nítida a intervenção de Warhol nos anéis estilizados, enquanto Basquiat introduz a pintura de uma máscara negra, crê-se, fazendo alusão aos atletas negros do passado, como Jesse Owens e Carl Lewis.

Olympic rings, 206 x 466 cm, 1985
Andy Warhol & Jean-Michel Basquiat

Olympics, 1984
Andy Warhol & Jean-Michel Basquiat

Litografia off set sobre papel, 1985
[Edição desconhecida]
Editores: Tony Shafrazi e Bruno Bischofberger
Em 1985, Andy Warhol e Jean-Michel Basquiat fizeram uma exposição em co-autoria em Nova Iorque, com organização de Tony Shafrazi e Bruno Bischofberger, cujo pôster tornou-se famoso,  apresentando ambos artistas, o ícone da Pop Arte e o artista de rua, com luvas de boxe e punhos cerrados.  
Seus trabalhos falam de um “jovem artista negro” num “mundo da arte branco”, muitas vezes representado pela dicotomia das cores preta e branca nas estratégias de sua produção artística. Estas dicotomias fazem parte de vários trabalhos que abordam questões como pobreza/riqueza, integração/segregação, inclusão/exclusão.
Em 1985, Basquiat foi capa da “The New York Times Magazine”. Faleceu precocemente, em 1988, aos 27 anos.

Fontes
Disponível em: http://www.basquiat.com/artist.htm# Acesso em: 26 dez. 2012.
Disponível em: http://www.brooklynmuseum.org/exhibitions/basquiat/crowns-halos-heroes.php Acesso em 26 dez. 2012.

26 de dezembro de 2012

CAIXAS ... da série "Janelas"


Série Janelas- S/Título
Guache s/ papel
32x24cm
2012
O projeto consiste num desdobramento da série de trabalhos intitulada "Janelas", realizada em pequeno formato, com pintura guache sobre papel; ou em grande formato, em pintura acrílica sobre tela.
Desenho [projeto]
Caixas II e III - 2012


Neste conjunto de trabalhos, desenvolvidos durante o ano de 2012 e apresentado em algumas exposições/salões, personagens aparecem em situações de isolamento em um ambiente aparentemente fechado, com aberturas e/ou frestas azuis que simbolizam janelas ou conexões com o exterior.
 

Caixa III [projeto] - 2012

As "caixas", em fase de criação e projeto, se constituem numa busca de materializar esse espaço da série de desenhos e pinturas, apresentando-o como objeto tridimensional, com um corte frontal, através do qual o espectador pode observar o ambiente representado nos desenhos, porém, sem os seus personagens. Após uma série de desenhos-projetos, a próxima fase está sendo a construção do projeto tridimensional das caixas, primeiramente em papel cartão.

19 de dezembro de 2012

CIRCUITO ORIENTE - "Until The End Of The World"

Hoje ocorre mais uma edição do Circuito ORIENTE de artes visuais, em Santa eresa, no Rio de Janeiro. Estarei participando com trabalhos no Canto da Carambola. Participam do evento 5 espaços/ateliês/galerias existentes no local. Com participação da Caza_Arte Contemporânea, esta edição do circuito se intitula "Feirão do Fim do Mundo" e tem por objetivo comercializar trabalhos de artistas com preços atraentes para novos/as colecionadores/as. Abç, Fabiano Devide.
 

12 de dezembro de 2012

Andy WARHOL, Pop Art e o Esporte

Em 2010, iniciei uma investigação sobre as relações entre gênero e práticas corporais a partir de uma série de pinturas. Recentemente, após revisitar algumas imagens daquele projeto e também  produzir em 2012 material sobre "Arte e Esporte: diálogos possíveis na Educação Física escolar", destinado à palestra para alunos/as de Licenciatura em Educação Física da Universidade Federal Fluminense, decidi organizar o material para ser compartilhado aqui, acompanhado de textos breves. Assim, o objetivo é postar imagens acompanhadas de textos sucintos e informativos [que não se propõem acadêmicos], de trabalhos de artistas contemporâneos que tematizam o esporte em algumas de suas obras. Inicio com Andy Warhol e sua Athletes Series, realizada no final da década de 1970, ainda sob influência da Pop Art.

Pop foi um movimento com identidade norte-americana, surgido no início da década de 1960, com artistas como Andy Warhol, Claes Oldenburg, Roy Liechtenstein, Tom Wesselman, James Rosenquist, entre outros. Incorporou a ideia de apropriação de imagens, com atenção especial para a relação entre a “arte” e a “técnica” (filme, foto, serigrafia, impressão etc.). Em geral, estava relacionada ao repertório de imagens do cotidiano de uma sociedade de consumo, no pós-guerra, com circulação de imagens e estetização do cotidiano, utilizando técnicas da cultura visual de massa, com desenho simples, antigestual, premeditado, derivado das propagandas e comunicações de massa, letreiros comerciais, histórias em quadrinhos, fotografias de jornais e celebridades. Privilegiou veículos bidimensionais, como a pintura e a gravura, com transferência direta da imagem através de colagem ou serigrafia (Mc´ARTHY, 2002; ARCHER, 2008).


Campbell´s soap series [196-]
MoMA
Foto: F. Devide
Nesse contexto, Andy Warhol tornou-se famoso na década de 1960, pela imagem icônica das latas Campbell [à dir.], seus filmes com duração excessiva, câmera fixa e ausência de narrativa; além de festas com celebridades, intelectuais e artistas, realizadas no atelliê “The Factory”, em Nova Iorque, cujo nome fazia alusão ao seu reconhecimento de que a arte não podia evitar ser tratada como mercadoria, da mesma forma que latas de sopa ou caixas de sabão.








“Nas mãos de Andy Warhol, caixas de sucrilhos Kellogg´s, pêssegos Del Monte e suco de tomate Campbell´s significavam abundância numa escala inconcebível antes da guerra (...) Esse era um mundo estranhamente duplicado de objetos à venda. As coisas representadas nas pinturas estavam disponíveis a pessoas de quase todas as classes, enquanto as próprias pinturas, que se mostravam altamente vendáveis como mercadorias de arte, estavam igualmente disponíveis, especialmente quando reproduzidas como gravuras, pôsteres e cartões postais” (McARTHY, 2002, p. 31)
Warhol produziu as primeiras imagens com pinturas sobre páginas de jornal – manchetes e fotografias trabalhadas com tinta e técnica de silk-screen. A repetição na obra de Warhol gera um ritmo, conseqüência do processo de impressão serigráfica. Por isso, em termos, produz uma arte que parece não ter autoria, que não diz sobre seu autor. Retoma a ideia do all over (repetição e ocupação homogênea do plano), com uso de cores em contraste. Na obra “Brillo Boxes” [1964], p. ex., caixas de madeira e não de papelão, receberam a impressão do rótulo do sabão Brillo pela técnica da serigrafia, demonstrando como Warhol se apropriava da imagem e não do objeto; e como problematizou a ideia da obra de arte como mercadoria.

Marilyn Monroe dourada
211,4 x 144,7cm
MoMA
[1962]
Foto: F.Devide
O artista também desenvolveu trabalhos que se associavam à morte, como a temática do desastre ou as imagens de ícones mortos, como Marilyn Monroe, Elvis Presley e Jack Kennedy. Nos anos de 1970, pintou ícones como Mao TSE Tung e Mick Jagger. Para Warhol, a sua obra devia circular como a cultura da sociedade de consumo que ele criticava.
“Na época em que Warhol e outros artistas pop dirigiam sua atenção para a fama contemporânea, eles tinham à sua disposição um panteão de indivíduos famosos cujas vidas eram assunto de intensa investigação e criação de mitos populares. (...) Não é de surpreender que  o interesse dos artistas  por celebridades revelasse  o grau de envolvimento deles na perpetuação e manipulação da celebridade” (McARTHY, 2002, p. 37; 41).
Athlete sSeries [1977-1979]
Andy Warhol
Entre os diferentes trabalhos que utilizaram celebridades ícones das décadas de 1960-70, por sugestão de Richard Weissman, Warhol produziu “Athletes Series”, uma coleção de dez obras realizadas a partir de retratos em silk-screen, capturados de estrelas do esporte influentes do século XX. A série foi iniciada em 1977 e finalizada em 1979, sendo assinada pelos respectivos atletas.

Andy Warhol e Pelé
[déc. 1970]
A ideia por trás da série veio de Weissman, que sugeriu a possibilidade de associar atividades esportivas e artísticas, comumente não relacionais entre si, o que Warhol poderia buscar ao realizar a série de retratos em silk-screen. O colecionador Richard Weisman, que conhecia o artista por mais de duas décadas, dizia que Warhol não sabia a diferença entre uma bola de futebol e de golf. Por isso, escolheu os atletas e os visitou com o artista voando pelos Estados Unidos em quartos de hotel e outros lugares para fotografá-los com uma câmera polaroid, para que Warhol tivesse uma base para suas pinturas. Entre os atletas eternizados na série de Warhol, encontram-se: Dorothy Hamill, Pelé, Jack Nicklaus, Rod Gilbert, Muhammad Ali, Tom Seaver, Willie Shoemaker, Chris Evert, OJ Simpson, Kareem Abdul Jabar. A coleção foi roubada da casa de Richard Weisman, em Los Angeles, em setembro de 2009.

Pelé
Athletes Series [1977-1979]
40 x 40 inches
Referências
ARCHER, M. Arte contemporânea: uma história concisa. São Paulo: Martins Fontes, 2008.
Mc´ARTHY, D. Pop Art. São Paulo: Cosacnaify, 2002.
Entrevista com Richard Weissman. Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=CFaQYFh80Rg Acesso em: 12 dez. 2012.
Notas do curso "História da Arte contemporânea", ministrado por Pedro França, Rio de Janeiro, EAV-Parque Lage, 2009.

8 de novembro de 2012

Participação na ARTIGO - Feira de Arte Contemporânea, RJ - 2012

Com Marilia Loschi, que adquiriu a obra "S/ título, Série Janelas" (140x90cm) 2012, exposta anteriormente na coletiva "Experiência Pintura", na EAV-Parque Lage (RJ).
Com o galerista Luiz Fernando Landeiro [esq.] e o colecionador Beto Silva [centro], que adquiriu um dos desenhos da Série "Janelas" (2012), exposto anteriormente na coletiva "Afinidades: a escolha do artista", na galeria Caza_Arte Contemporânea (RJ)
Com o galerista Luiz Fernando Landeiro, da Galeria Luiz Fernando Landeiro, Salvador [BA].






Stand da Galeria Luiz Fernando Landeiro [Salvador, BA] na Artigo, com trabalhos da série "Janelas" [esq.] e os trabalhos dos artistas Marcelo Jácome, Alessandra Vaghi e Bruno Miguel .

 

 
Eu e as galeristas Úrsula Tauz [esq.] e Letícia Tandeta [dir.] da FaceArte Galeria [RJ]


Trabalhos da Série "Janelas" [2012]
expostos no stand da Galeria Luiz Fernando Landeiro
[Salvador, BA].


Trabalho da Série "Lutadores" [2011] à esq.,
no stand da FaceArte Galeria
[Rio de Janeiro, RJ].



 

1 de novembro de 2012

ARTIGO - Feira de Arte Contemporânea [convite]



 
 
Convido os colegas a comparecerem à abertura da ARTIGO - Feira de Arte Contemporânea, que ocorrrerá entre 8-11 de novembro, no Centro de Convenções Sulamérica, no Rio de Janeiro.
 
Estarei com trabalhos de pintura das séries "Lutadores" [2010], "Silêncios" [2011] e "Janelas" [2012], respectivamente, nos estandes da FaceArte Galeria [Rio de Janeiro] e Luiz Fernando Landeiro Galeria [Salvador].
 
A abertura para convidados será no dia 7/11, entre 17h-22h, conforme convite ao lado.
 
Abç, Fabiano Devide.

17 de outubro de 2012

30a Bienal/SP - As práticas corporais e a ludicidade nas obras de Arthur Bispo e a "constelação" de Péres-Oramas


Manto da apresentação
Arthur Bispo do Rosário
[artista homenageado]
A 30ª Bienal/SP tem curadoria de Luis Pérez-Oramas e possui como tema “A iminência das poéticas”. Homenageando Arthur Bispo do Rosário, a mostra é constituída por 111 artistas e cerca de três mil obras expostas nos três andares do Pavilhão da Bienal, no Parque do Ibirapuera, até 9 de dezembro de 2012. A expografia da mostra apresenta grupos de obras de um mesmo/a artista, como pequenas mostras individuais, ao redor da obra do artista homenageado, conferindo uma ideia de “constelação” relacional entre todos/as.


Há dois anos publiquei um post sobre a presença do “lúdico” em alguns trabalhos que vi na Bienal de São Paulo e na Paralela, em 2010. Passados dois anos, minha investigação artística seguiu outros caminhos, mas meu olhar permanece sensível para a experiência estética de confronto com a obra de arte que tematiza de forma contundente ou periférica, práticas corporais representadas pela ginástica, pela brincadeira, pelo jogo, pelo esporte, pela dança etc.

Por isso, publico novamente aquele post de 2010 [abaixo], tecendo algumas ressalvas: 1. Algumas imagens apresentadas a seguir são fragmentos de algumas obras e por isso apresentados/as lado a lado [fragmento e obra]; 2. O deslocamento da imagem de um trabalho do conjunto dos demais apresentados na 30ª Bienal/SP interfere significativamente na produção de sentido sobre o mesmo, posicionado de forma intencional na expografia da Bienal. Nesse sentido, minha intenção primeira segue na direção de pôr em foco alguns fragmentos ou obras expostas que tematizam as práticas corporais, mais do que apresentá-las como síntese do pensamento dos seus/suas artistas.


 

Frédéric Bruly Brouabré
Costa do Marfim

Nydia Negromonte
Lima, Peru
Barrado [argila crua sobre a parede] e A Ginasta [Impressão digital em papel]





 1


Alair Gomes
Valença, Rio de Janeiro
Tríptico na Praia n. 3 [1] e Tríptico na praia n. ? [acima]

1
2
3
4

Ilene Segalove
Los Angeles, Estados Unidos
History of the American 20th Century - 1981
[1-4 - fragmentos]
1
2

Ciudad Abierta
Valparaiso, Chile
[1-2 > fragmentos]






Waldemar Cordeiro
Série Parque infantil Clube Espéria




Ed Hirose
Lima, Peru
Série Pozuzo [2000-2003]
79 fotografias [fragmentos]









Cadu
São Paulo, Brasil
Partitura, 2010-2011



Arthur Bispo do Rosário


 Associado ao brinquedo [1], à brincadeira [2], ao jogo e ao esporte, o “lúdico” tem como característica a espontaneidade, criatividade, alegria, prazer, fruição, presentes em práticas corporais diversificadas. Pode ser interpretado como uma manifestação cultural, inerente ao ser humano [não somente à cultura infantil], estando vinculado às práticas sociais, potencializando a existência humana e a sua comunicação com a realidade. A cultura lúdica tem sido extirpada da infância [e da vida adulta]. Da mesma forma, suas manifestações têm sido “controladas” e “confinadas” a tempos, espaços e práticas legitimadas e associadas ao consumo pela indústria cultural. Como a arte contemporânea pode resgatar a dimensão do lúdico na vida cotidiana [até mesmo no processo criativo]? Visitando a 30a Bienal de Arte Contemporânea, em São Paulo, me deparei com alguns trabalhos que utilizaram o brinquedo, a brincadeira, o jogo e o esporte como tema [central ou secundário], resgatando um pouco da ludicidade necessária. Seguem as imagens...


[1] Objeto com dimensão material, suporte da brincadeira, que estimula o imaginário.

[2] Ação que a criança desempenha sobre o brinquedo.