| S/ Título Acrílica sobre papel craft 85 x 130 cm 2011 |
Este espaço é destinado à divulgação da arte em suas múltiplas linguagens, recortes históricos e temas. De forma paralela, apresento aspectos do trabalho que desenvolvo, no Rio de Janeiro.
29 de maio de 2011
27 de abril de 2011
Nova série... ainda sem título
“O privilégio masculino é também uma cilada (...) impõe a todo homem o dever de afirmar, em toda e qualquer circunstância, a sua virilidade (...) entendida como capacidade reprodutiva, sexual e social, mas também como aptidão ao combate e ao exercício da violência (...) o homem ‘verdadeiramente homem’ é aquele que se sente obrigado a estar à altura da possibilidade que lhe é oferecida de fazer crescer sua honra buscando a glória e a distinção na esfera pública”
(In.: Bourdieu, P. A dominação masculina, Rio de Janeiro: Bertrand, 1999, p. 64).
| - Cilada - Acrílica sobre papel craft 85 x 130 cm 2011 |
25 de abril de 2011
22 de abril de 2011
Série Dançarinos
1 de abril de 2011
Notas sobre os últimos trabalhos...
Os três últimos trabalhos exploram a temática do corpo, gênero e identidade, a partir da pesquisa com imagens sobre práticas corporais de reserva masculina [luta], transpostas do suporte da fotografia para a pintura. Apresentam corpos de lutadores em ação e combate, que ancoram sentidos de uma masculinidade hegemônica, que submete outras masculinidades, plurais, transitórias e contingentes presentes no cotidiano, explorando os múltiplos significados produzidos pela imagem.
Os personagens surgem em figuras híbridas, que exploram a continuidade e a fluidez das imagens, ao representarem corpos que ancoram essas identidades e se interpenetram. Da mesma forma, os mesmos corpos se misturam ao plano pictórico, subvertendo a relação figura e fundo, produzindo incertezas sobre onde começa e termina cada personagem. As figuras aparecem em primeiro plano, “transbordando” pelas extremidades do plano e tornando exíguo o espaço da tela de pintura, trazendo o olhar para “dentro” da obra.
Os trabalhos exploram uma densidade cromática específica, a partir da fusão de etapas e camadas de cor, resultando numa relação cromática que colabora para a construção de um clima psicológico dramático. Nesse sentido, os trabalhos possibilitam diferentes leituras, explorando a polissemia produzida pela imagem, a partir de uma semiótica “aberta”, promovida pela interação entre a obra e o espectador.
| Acrílica sobre tela 115 x 115 cm 2011 |
21 de março de 2011
19 de março de 2011
16 de março de 2011
15 de março de 2011
Experiência em Pintura II - EAV-Parque Lage
3 de março de 2011
Retomando a EAV após um semestre: novos rumos...
Após um semestre afastado "fisicamente" dos cursos na EAV, retomei o módulo de desenvolvimento, desta vez, com Suzana Queiroga [Experiência em Pintura II]. Passei o semestre passado produzindo no ateliê, compartilhando alguns dos trabalhos com os leitores/as do Blog, que construí em setembro de 2010. Porém, os trabalhos não receberam o olhar atento e experiente de professores/as. Nada como o olhar do outro para nos tirar da "zona de conforto" e nos fazer avançar.
Os últimos trabalhos, cuja temática vinha sendo relacionada às práticas coporais de reserva masculina [futebol, luta] e feminina [dança], abordavam jogadores, lutadores e bailarinos em ação, em imagens híbridas em que corpos se interpenetravam sobre áreas de cores fortes, onde o grafismo das figuras se destacava. Alguns desses trabalhos também apresentavam a sombra duplicada das figuras, na intenção de explorar outros sentidos além daquele produzido pela imagem original.
Os últimos trabalhos, cuja temática vinha sendo relacionada às práticas coporais de reserva masculina [futebol, luta] e feminina [dança], abordavam jogadores, lutadores e bailarinos em ação, em imagens híbridas em que corpos se interpenetravam sobre áreas de cores fortes, onde o grafismo das figuras se destacava. Alguns desses trabalhos também apresentavam a sombra duplicada das figuras, na intenção de explorar outros sentidos além daquele produzido pela imagem original.
Esses que apresento agora incorporam novos elementos em sua poética, resultantes dos primeiros debates na EAV em 2011: buscam combinar essas práticas corporais num mesmo plano, apresentam a imagem em negativo, retiram o uso da sombra, possuem certa monocromia e tentam explorar a idéia de movimento, continuidade e fluidez da imagem, expandindo o grafismo, produzindo uma incerteza sobre onde começa e termina cada figura no plano pictórico.
| Vertigem Têmpera sobre papel 32 x 44cm 2011 |
| S/ título Têmpera sobre papel 32 x 44cm 2011 |
| S/ título Têmpera sobre papel 32 x 44cm 2011 |
8 de janeiro de 2011
Notas sobre os últimos trabalhos
O domínio, a consciência de seu próprio corpo só puderam ser adquiridos pelo efeito do investimento do corpo pelo poder: a ginástica, os exercícios, o desenvolvimento muscular, a nudez, a exaltação do belo corpo (...) através de um trabalho insistente, obstinado, meticuloso (...) [p. 146]*
É possível relacionar elementos sobre o corpo entre os séculos XIV e XVI, período do Renascimento; com questões atuais que circulam sobre a cultura do corpo na sociedade contemporânea? Esta questão norteia os últimos trabalhos que venho apresentando aqui no Blog.
A História da Arte assinala que no Renascimento, a escultura foi caracterizada, entre outros aspectos, pela representação proporcional da figura humana tal como a realidade, através do estudo do corpo [e sua anatomia], as noções de profundidade e perspectiva revelaram músculos torneados em proporções perfeitas, notadamente sobre o corpo masculino. "David", de Michelangelo, exemplifica as características acima e nos convida a refletir como, hoje, tais proporções se transformaram em “capital social”, sendo vendido, trocado, alugado etc.
Inserido em uma sociedade de consumo, onde existem bens simbólicos e materiais, interpreto o corpo, enquanto "capital simbólico", que ancora uma série de significados que contribuem para constituir uma hierarquia de poder simbólico sobre a sua relação com a busca de objetivos pessoais, sejam materiais ou emocionais. Nesse caso, com a transformação dos padrões estéticos das últimas décadas, aqueles/as que não se aproximam do modelo de corpo "ideal", tendem a se sentir excluídos/as de uma indústria cultural e de consumo que se desenvolve para atingir aqueles/as que possuem o modelo padrão e valorizado de corpo.
Nesse contexto, os últimos trabalhos realizados são estudos para um projeto que busca tecer um diálogo entre o discurso sobre o corpo na história da arte com o discurso contemporâneo, circulante nas revistas de fitness direcionadas ao público masculino. Assim, a composição da imagem da escultura com a palavra busca produzir uma reflexão sobre o esquadrinhamento do corpo, "esculpido" de forma cartesiana, a partir dos mais distintos recursos e "sacrifícios" oferecidos pela indústria. Nesse sentido, a fragmentação da figura pelo recorte ou pela linha, assim como a sua demarcação com o uso de alfinetes, busca sinalizar, respectivamente, a segmentação do corpo e o sacrifício aos quais os homens [e as mulheres] têm se sujeitado na busca do corpo cultuado na sociedade contemporênea.
* FOUCAULT, M. Microfísica do Poder. Rio de Janeiro: Graal, 1998.
6 de janeiro de 2011
31 de dezembro de 2010
28 de novembro de 2010
22 de novembro de 2010
15 de novembro de 2010
Notas sobre a palestra JENNIFER DOYLE sobre Arte contemporânea, esporte e gênero, UFRJ/RJ
Na semana passada, participei da palestra da professora Jennifer Doyle (Universidade da Califórnia), na Faculdade de Educação da UFRJ. Na ocasião, a pesquisadora proferiu um discurso sobre arte contemporânea, esporte e gênero [com foco na Teoria Queer]. Doyle interessa-se especificamente sobre Performance e no campo do esporte, por futebol [1]. O foco da palestra foi gênero, performance e futebol feminino. Um ponto nevrálgico da fala da palestrante me fez refletir sobre a ausência do esporte como tema de reflexão na arte contemporânea [apesar de alguns artistas modernos abordarem o esporte e algumas práticas corporais nas suas obras]. No momento do debate com a palestrante, questionei sobre a escassez de trabalhos de arte contemporânea que tematizassem as questões de gênero, utilizando o esporte como foco. Como exemplos dessa escassez, mencionei a Bienal de São Paulo de 2010 e a exposição "Gender Check", ocorrida esse ano com artistas contemporâneos da Europa Oriental que trabalham com a temática de gênero. Jennifer teceu rápidos comentários sobre a manutenção desta temática à sombra por instituições [representadas por museus, galerias etc.], e pessoas envolvidas com a arte contemporânea [curadores/as, galeristas e artisitas], por ser interpretada como desinteressante, menos valiosa ou relevante. Tal interpretação corrobora com o que ocorre, em geral, na área das Ciências Humanas e Sociais. Somente recentemente a História e a Sociologia passaram a reconhecer o esporte como rico suporte para efetuar análises e interpretações macro e microssociais, auxiliando na compreensão de aspectos políticos, culturais e históricos de nossa sociedade. Não raro, entretanto, ainda conheço historiadores e sociólogos que não são bem vistos ao se debruçarem sobre o esporte [geralmente o futebol] enquanto tema de estudo e investigação pelas mesmas razões enumeradas por Jennifer. Como fica a posição da arte contemporânea nesse contexto? Convido os leitores e leitoras que acompanham o Blog a tecerem alguns comentários sobre este tema, que me parece uma lacuna a ser explorada.
[1] http://fromaleftwing.blogspot.com/ Blog organizado pela professora Jennifer Doyle, que aborda, especificamente, as questões de gênero inerentes à participação das mulheres no futebol. No link "labels", é possível encontrar 15 posts onde a pesquisadora tece algumas interpretações em relação a como a Arte Contemporânea vem abordando a questão.
[1] http://fromaleftwing.blogspot.com/ Blog organizado pela professora Jennifer Doyle, que aborda, especificamente, as questões de gênero inerentes à participação das mulheres no futebol. No link "labels", é possível encontrar 15 posts onde a pesquisadora tece algumas interpretações em relação a como a Arte Contemporânea vem abordando a questão.
24 de outubro de 2010
CCBB: metáforas do masculino e feminino no ISLÃ
O Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB/RJ), está apresentando a exposição "Miragens". Com 58 obras de 19 artistas islâmicos contemporâneos, provenientes de coleções e galerias norte-americanas e européias, "Miragens" inclui vídeos, pintura, fotografia e objetos.
De forma geral, as obras confrontam os estereótipos que a cultura ocidental construiu sobre a oriental. Destaco, especificamente, alguns trabalhos que tematizam questões relacionadas à identidade masculina, como o mito do "herói", a guerra [violência] e a força física; e à identidade feminina, como o "silenciamento social" das mulheres na cultura islãmica.
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| SENER OZMEN Supermuçulmano |
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| LAILA SHAWA Meninos soldados |
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| KAMEL YAHIOUI Os vigias [em memória de Tahar Djaout] |
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| SHIRIN NESHAT |
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| HALIL ALTINDERE Miragens [Da trilogia Mesopotâmia] |
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| SHIRIN NESHAT |
16 de outubro de 2010
13 de outubro de 2010
O lúdico no brinquedo, na brincadeira, no jogo e no esporte na 29a BIENAL, 5a PARALELA e no MAM/SP
Associado ao brinquedo[1], à brincadeira[2], ao jogo e ao esporte, o “lúdico” tem como característica a espontaneidade, criatividade, alegria, prazer, fruição, presentes em práticas corporais diversificadas. Pode ser interpretado como uma manifestação cultural, inerente ao ser humano [não somente à cultura infantil], estando vinculado às práticas sociais, potencializando a existência humana e a sua comunicação com a realidade. A cultura lúdica tem sido extirpada da infância [e da vida adulta]. Da mesma forma, suas manifestações têm sido “controladas” e “confinadas” a tempos, espaços e práticas legitimadas e associadas ao consumo pela indústria cultural. Como a arte contemporânea pode resgatar a dimensão do lúdico na vida cotidiana [até mesmo no processo criativo]? Visitando a 29a Bienal de Arte Contemporânea e a V Paralela, em São Paulo, causou-me surpresa a presença de alguns trabalhos que utilizaram o brinquedo, a brincadeira, o jogo e o esporte como tema central ou secundário, resgatando um pouco da ludicidade necessária. Seguem as imagens.
[1] Objeto com dimensão material, suporte da brincadeira, que estimula o imaginário.
[2] Ação que a criança desempenha sobre o brinquedo
| Alessandra Sanguinetti, Estados Unidos, 2010 LAS AVENTURAS DE GUILLE Y BELINDA Y EL ENIGMÁTICO SIGNIFICADO DE SUS SUEÑOS |
| Marcelo Amorim, Brasil, 2010 da série INICIAÇÃO |
| Claudio Perna, Itália, 1979 FOTOGRAFIA ANONIMA DE VENEZUELA |
| Lais Myrrha, Brasil, 2010 PÓDIO PARA NINGUÉM |
| Marina Rheingantz, 2010 OBERHOLZ |
| Marcelo Amorim, Brasil, 2010 Da série INICIAÇÃO |
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| Ernesto Neto, Brasil, 2010 DENGO |
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| Ernesto Neto, Brasil, 2010 DENGO |
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| Palle Nielsen, Dinamarca, 2010 O MODELO |
7 de outubro de 2010
Notas sobre "Processo Criativo" III
Criadores fazem algo que inaugure uma nova linguagem e que a sua platéia vai questionar: “-Eu já vi isso?” Ícones que levaram a sua linguagem às últimas conseqüências modificaram a linguagem da área, “sacudindo” as certezas.
Uma carreira demonstra a capacidade de redefinir-se. Pode-se avaliar o impacto da obra de um artista a partir da sua capacidade de “voltar-se para o escuro”, redefinindo-se, valorizando a vulnerabilidade das novas informações na carreira.
O processo de categorização pode tornar-se um bloqueio à criação. Uma obra que resiste à nomeação/classificação prende a atenção e perturba o sistema de categorias, ficando “suspenso entre duas categorias”.
Bons artistas sabem que suas escolhas têm conseqüências. É preciso pensar na intenção e na intenção retroativa [realizada após a experimentação]. O processo criativo não funciona por exclusão de planos previamente construídos, mas por experimentação e retroalimentação. Pressupõe olhar o mundo de forma menos passiva, olhando para o óbvio e enxergando outras possibilidades.
A arte não compete com a realidade, mas deve nos fazer pensar sobre o que nos esquecemos dela.
O criador produz trabalhos que aumentam a espessura do presente pelo processo de “saturação”. Distendem o momento do agora, em detrimento de viver do passado ou projetando o futuro.
Se o artista é incapaz de se distanciar e analisar o seu trabalho, não terá capacidade para crescer e progredir. O criador sente-se confortável em se sentir aquém em algumas áreas, percebendo o quanto ainda pode se desenvolver.
O bom artista expõe seu trabalho como conseqüência do mesmo. Aquele que se esforça no processo de produzir a obra com o objetivo de expô-la, trabalha na ótica da ”finalidade” e não da “conseqüência”.
Pessoas criativas tiveram a “ingenuidade” de pensar que poderiam fazer algo que teria impacto sobre a realidade. Foram curiosas e motivadas intrinsecamente, redefinindo-se em constante processo de acumulação.
6 de outubro de 2010
Notas sobre "Processo Criativo" II
A motivação intrínseca é importante para o ato criativo. O criador deve procurar uma área de atuação que traga significado, entusiasmo e motivação para “fazer a diferença” e provocar mudança na linguagem da área.
Há uma tendência em mantermos o que estamos fazendo no mesmo patamar/padrão até que alguém faça a diferença, provocando a mudança. Na verdade, não fazemos muita coisa porque desistimos ao não confiarmos em nós mesmos e esperarmos a aprovação do olhar do outro.
Durante o processo criativo, há desconforto e infelicidade na maior parte do tempo. A recompensa é o prazer da descoberta. Para isso, deve-se exercitar a "rebelião", recusando-se a repetir todos os dias, as mesmas regras. Acertar sempre seria morte do processo criativo.
Há um momento no qual o artista precisa afastar-se e olhar o seu trabalho de fora, afastando-se da sua excessiva subjetividade, transformando a experiência. Nesse momento, é relevante recorrer ao olhar do outro.
O artista não tem controle sobre os sentidos produzidos pela obra, o que não significa que o artista ou o observador são ruins porque encontram/produzem sentidos diferentes. O leitor é fundamental para o “acontecimento” da obra.
No processo criativo, é preciso uma “faísca” para a produção da nova idéia. Nesse contexto, o olhar do outro e o aleatório são importantes. Ao esgotar o seu repertório, o artista deve fazer novas inserções de idéias, a partir de um processo anárquico de absorção de novas informações. Reinventar-se é importante para continuar criando.
Na arte, ao invés de dar um “grito no escuro” sobre as suas angústias, o artista deve construir uma linguagem pessoal relacionada à obra. Nenhuma arte meramente pessoal é arte. No máximo será uma arte terapêutica, que não terá fôlego para se tornar uma grande arte.
5 de outubro de 2010
Notas sobre "Processo Criativo" I
As notas abaixo listadas são fruto de parte das anotações realizadas em 2009, na ocasião do curso "Processo Criativo", com o professor Charles Watson, na EAV/Pq Lage. Sem o intuito de concordar/discordar das mesmas, as compartilho com os leitores/as para convidá-los/as a refletirem sobre seus próprios processos.
O processo criativo pressupõe a capacidade de transitar entre os pólos objetivo e subjetivo. É preciso “estranhar” o que se está fazendo e dar espaço para a “surpresa” no fazer artístico.
O artista tem êxito quando transforma a linguagem do “eu” numa linguagem universal: a obra “acontece”.
Pessoas com medo têm pensamentos sabotadores. Errar é fundamental, pois dar conta das imperfeições nos faz caminhar. A perfeição é a morte e a instabilidade é importante para produzirmos.
Pessoas curiosas superam as "normas" de seu pensamento com mais criatividade, gerando coisas novas, utilizando/coletando informações no cotidiano, a partir de um processo “anti-entrópico”, onde não há estabilidade; como o desconforto do artista durante o processo criativo.
A pessoa criativa tem capacidade de análise, interpretação, avaliação, curiosidade, experimentação, e da instabilidade constrói coisas novas. O papel do criador é “solucionar problemas” a partir do “desconforto” e da instabilidade.
O processo criativo depende de: 1. uma linguagem simbólica; 2. uma pessoa ou grupo que produz algo diferente nessa linguagem (a coloca em crise); e 3. um grupo de peritos que interpreta e incorpora e endossa o novo.
A pessoa criativa preocupa-se com a linguagem por estar imersa nela. Nesse caso, não produz para a platéia comum, mas para aqueles/as que têm conhecimento específico para "ler" sua obra.
Às vezes, estragamos um trabalho por afetos a questões do trabalho que não são importantes para o todo. O trabalho cria densidade com base na experiência, o que presupõe, também, a possibilidade de sua desconstrução e reconstrução permanentes.
26 de setembro de 2010
23 de setembro de 2010
Cruzando fronteiras e (in)visibilidades
Uma das discussões inerentes aos estudos de gênero tem sido a crítica à relação linear da sociedade heterossexista sobre a relação causal entre sexo biológico > identidade de gênero > identidade sexual [1]. Tal normatividade contribui para que se configure um quadro de preconceito quando homens ou mulheres transpõem fronteiras de gênero, inserindo-se em atividades que a sociedade não associa ao seu sexo biológico. A inserção dos homens na dança é um exemplo desse cruzamento de fronteiras. Ao se inserirem numa área de reserva feminina, são questionados em termos identitários, como se houvesse uma relação causal entre a prática corporal e a construção da identidade sexual.
| Série Bailarinos I "Pausa" Têmpera sobre papel (32x44cm) 2010 |
Os novos trabalhos que apresento no Blog abordam esse cruzamento de fronteiras, de alguma forma, na mesma intenção dos anteriores, nos quais explorei a linguagem metafórica das imagens de jogadores e lutadores. Nesses trabalhos, tenho buscado possibilidades de invisibilidade da imagem, explorando os planos de figura e fundo, o que de certa forma, representa a invisibilidade dos homens que rompem fronteiras inserindo-se nessa área de reserva feminina.
[1] BUTLER, J. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003.
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