16 de julho de 2012

Novíssimos 2012 - Galeria IBEU/RJ

Abaixo, algumas imagens da abertura da quadragésima segunda edição do Salão Novíssimos, realizado pela Galeria IBEU, na cidade do Rio de Janeiro/2012, do qual estou participando.


Parte dos artistas selecionados no 42 Novíssimos, Galeria IBEU/RJ.
Esq. > dir. em pé: Alexandre Hypolito, Paula Scamparini, Alexandre Rangel, Alex Topini, Bete Esteves, Fabiano Devide, Jonas Arrabal, Luane Aires, Bernardo Mosquera [texto crítico], Ivair Reinaldin [comissão cultural], XX, XX, Humberto Carvalho [comissão cultural], XX.
esq. > Dir. agachados: Paul Setúbal, XX, XX, Pedro Vitor Brandão, Renata Pinheiro [produção executiva]




Vista parcial da Galeria IBEU, com os trabalhos de
Felipe Fernandes [esq.], Alexandre Hypólito [centro] e Fabiano Devide [dir.].


Da série Janelas, os dípticos "Espera" 24x32cm cd [esq.] e "Chão" 21 x 29,5cm cd [dir.]
Impressão de carbono e guache s/ papel - 2012


Da série Janelas, "Espera" [díptico] 24 x 32cm cd
Impressão de carbono e guache s/ papel - 2012

IBEU. Novíssimos 2012 [catálogo]. Rio de Janeiro, Walprint, 2012. p. 13.

3 de julho de 2012

Abertura do Novíssimos 2012

Gostaria de convidá-los/as a estarem presentes na abertura do 42 Novíssimos, em 12 de julho, na Galeria IBEU, em Copacabana, onde estarei fazendo parte do Salão, ao lado de outros 21 artistas de todo o Brasil. Abç e até lá. Fabiano.

29 de junho de 2012

Abertura da "Coletiva Caza_Arte Contemporânea", Café Baroni



Esq. > Dir.: Fábio Carvalho [artista], Raquel Baroni,
Raimundo Rodriguez [artista e organizador] e Fabiano Devide [artista].
 

14 de junho de 2012

Coletiva CAZA_ARTE CONTEMPORÂNEA - Abertura 18/06 - Café Baroni/RJ

É com prazer que convido os amigos/as a comparecerem na abertura da exposição "Coletiva Caza_Arte Contemporânea", no Café Baroni/RJ, onde estarei participando com mais doze artistas. Mais detalhes no convite abaixo.




4 de junho de 2012

Seleção NOVÍSSIMOS 2012

Outros trabalhos da Série "Janelas" [2012]  foram selecionados para a 42ª edição do Salão de Artes Visuais NOVÍSSIMOS, de 12/07 à 10/08. O Salão ocorre desde a década de 1970, sendo idealizado e organizado pela Galeria de Arte Ibeu, em Copacabana, no Rio de Janeiro, tendo apresentado ao cenário da Arte Contemporânea brasileira, diversos artistas que alcançaram projeção internacional.

O objetivo de NOVÍSSIMOS é reconhecer e estimular a produção de novos artistas, e com isso apresentar um recorte do que vem sendo produzido no campo da arte contemporânea brasileira.

Link do resultado final:

Abaixo, ums dos trabalhos selecionados para o Salão.



  

Série "Janelas"
Tríptico "Passagem"
Guache s/ papel
21x29,5cm
2012

21 de maio de 2012

Individual [Exposição virtual - FACEARTE] > 21-25/maio


Série "Silêncios" - S/ título
Acrílica s/ tela - 50x50cm
2011
 O FACEARTE surgiu em 2009 e se constituiu na primeira galeria virtual no Facebook, acompanhando os avanços nos usos das redes sociais. Em 2012, iniciou um projeto de realizar a cada semana uma exposição individual de um de seus artistas.

Esta semana ocorre uma exposição de trabalhos meus de 2011. São cinco trabalhos da série "Silêncios", em pintura sobre tela, em pequeno formato [50x50cm]. Participarão, também, dois trabalhos em grande formato que estiveram expostos na individual "Híbridos" [RJ, 2011]; além de trabalhos de pintura sobre papel craft.

Abç e sejam bem-vindos!


http://www.facebook.com/#!/facearte

18 de abril de 2012

18 Salão UNAMA de Pequenos Formatos - Belém/PA, 2012.


Após apresentar quatro trabalhos da série "Janelas" na exposição "Afinidades: a escolha do artista", em março/2012, na Caza_Arte Contemporânea/RJ; outros três trabalhos da série foram selecionados para o 18 Salão Unama de Pequenos Formatos, a ser realizado em Belém, PA, entre 17/05 e 23/06. Resultado 18 Salão Unama de Pequenos Formatos

Série Janelas - S/Título
Guache s/ papel
24 x 32cm [cada]
2012

27 de março de 2012

Notas sobre BOURRIAUD, Nicolas. O que é um artista (hoje)?

BOURRIAUD, Nicolas. O que é um artista (hoje)? Arte & Ensaios. Rio de Janeiro, ano X, n. 10, p. 77-78, 2003. Publicado originalmente na Beaux Arts Magazine, em 2002.

O artigo do crítico e curador de arte, Nicolas Bourriaud, organiza-se em quatro tópicos que analisam o lugar e a atitude do artista na sociedade contemporânea. O primeiro deles interpreta o artista como um “avião furtivo”, imerso na cultura, analisando e coletando imagens numa sociedade do espetáculo, ampliando a noção de ateliê, como o espaço público onde se coleta “matéria prima” diversificada para a obra [não se resumindo ao espaço privado, onde se criam imagens a partir de tintas e pincéis]. Em seguida, o autor apresenta o artista como um “intruso”, por atribuir novos sentidos às obras de arte sacralizadas, ao habitar novos campos culturais, além das fronteiras das artes visuais, inaugurando uma atitude interdisciplinar ou, nas palavras do autor, atuando com diferentes “campos de signos, de produção (...) uma espécie de semionauta: um inventor de trajetórias entre os signos” na cultura (p. 77). O artista como “parasita”, termo considerado inadequado por Bourriaud, pressupõe que o artista manipula os signos ordinários e cotidianos que escolhe investigar, no processo criativo de construção da obra, produzindo alguma outra coisa. Finalizando suas reflexões, o autor apresenta o artista como “diretor”, selecionando o casting de pessoas ou objetos para seus vídeos ou fotografias, dessacralizando a arte, ampliando o uso dos suportes, o que, segundo Bourriaud, incomoda.

24 de março de 2012

Notas sobre trabalhos da série "Janelas" [2012], exposta na Caza_Arte_Contemporânea/RJ

Em 2011, o processo criativo abordou práticas corporais de reserva masculina e feminina, explorando a polissemia produzida pela imagem, por interpretar que a produção de sentido se dá por uma lógica “aberta” e “plural” [1],  num processo de interlocução entre a intenção do artista, as contingências espaço-temporais e as condições de aprendizagem do espectador [2]. A partir dessa investigação, os trabalhos indicaram aberturas. A relação entre corpo, práticas corporais e masculinidades se modificou: uma vez que as imagens não eram provenientes de fotografias do contexto das práticas corporais; passaram de uma imagem em movimento/ação para outra estática/passiva, e apresentaram uma atmosfera introspectiva. Em virtude disso, o tema do “silêncio” foi assumido no final de 2011, como novo fio condutor do projeto, a partir de uma série de trabalhos com imagens de homens em reflexão.
Na série “Janelas” [s/ título, 21x29cm cada, 2012] - da qual os trabalhos da exposição "Afinidades: a escolha do artista", na Caza_Arte_Contemporânea fazem parte - o termo é utilizado em sentido figurado [abertura, rasgo, fresta] e os personagens de diferentes gerações surgem “vazios” [sem preenchimento], no contexto de uma arquitetura opressora, fria e silenciosa. Os ângulos desse espaço confinado variam, produzindo, por vezes, uma volumetria abstrata em decorrência da paleta de cinzas.
 Nesse espaço, o espectador identifica janelas não convencionais, posicionadas em diferentes planos, em locais e formatos que constituem uma triangulação, buscando expressividade. Tais janelas, azuis, estabelecem um diálogo entre os espaços interno e externo, a partir de “frestas”; ampliam a noção primeira de céu ou luz, podendo ser interpretadas como a própria morte, explorando a idéia de vanitas, passagem do tempo, transcendência e espiritualidade, produzindo ruídos na leitura inicial do espectador. Os trabalhos da série são realizados através da impressão com carbono e pintura guache sobre papel. Os personagens, sem identidade, apresentam-se como “esboços” de um estado de vazio existencial.


[1] DANTO, A. Arte sem paradigma [1994]. Arte & Ensaios. Rio de Janeiro. Ano VII, n. 7, p. 198-202, 2000.
[2] SIMÃO, L. V. Da prática da arte à prática do artista contemporâneo. Concinnitas. Rio de Janeiro, ano 6, v. 1, p. 142-157, 2005.

16 de fevereiro de 2012

Exposição "AFINIDADES: a escolha do artista" - CAZA_ARTE_Contemporânea

Convido aos amigos/as e aos que acompanham o Blog, a comparecerem à coletiva "AFINIDADES: a escolha do artista", exposição organizada pelo artista Fábio Carvalho, na galeria Caza_Arte_Contemporânea, no Rio de Janeiro, dia 7/março, das 19-22h. Estarei participando com trabalhos de 2012.
Abç, Fabiano Devide.

2 de dezembro de 2011

GERHARD RICHTER E A FOTOGRAFIA [anotações]

No passado, os pintores iam para o ar livre para fazer esboços. Nós tiramos fotos. (...) Você tira uma foto e depois, se tiver sorte, descobre que ela deu origem a um quadro. Parece-me mais uma questão de acaso, tirar uma foto com a qualidade específica que valha a pena pintar (in.: OBRIST, 2009, p. 139; 152).



Muitos/as artistas contemporâneos partem da fotografia para produzirem suas pinturas, cada um/a por processos criativos singulares. A escolha de Gerhard Richter para produzir esse texto se dá pela visibilidade internacional de sua obra, assim como minha admiração pessoal pelo seu trabalho.

Richter nasceu em Dresden, no ano de 1932, em pleno regime nazista. Estudou na Kunstakademie, em Dresden [1953] e na Staatliche Kunstacademie, em Düsseldorf [1961-64]. Em 1962 começou a fazer quadros em séries, a partir de fotografias, com o uso de um projetor, época na qual entra em contato com o grupo Fluxus. O texto a seguir é uma síntese do discurso de Gerhard Richter sobre a fotografia enquanto elemento de seu processo criativo. É construído a partir de dois capítulos: OBRIST, Hans. U. Entrevistas: Vol. 1. Rio de Janeiro/Belo Horizonte: Cobogó-Inhotim, 2009. p. 127-158; e RICHTER, Gerhard. Notas, 1964, 1965. In.: FERREIRA, G.; COTRIM, C. (Orgs.) Escritos de Artistas. Rio de Janeiro: Zahar, 2006. p. 113-119.

Kitchen chair, 1965
Óleo s/ tela
80 x 100cm
Para Richter, a fotografia é a única imagem que informa sobre a realidade de forma verdadeira, ao contrário do desenho e da pintura. É a imagem “mais perfeita”, absoluta, incondicionada, sem estilo, ou, como se refere, “um modelo”. Ao pintar uma fotografia cotidiana, que Richter considera “legítima” [como a que pomos nos porta-retratos ou na parede], diz que lhe confere universalidade, tornando-a exemplar. O artista afirma não ter paciência para pintar fotos em detalhes, como os foto-realistas, que causam a tradicional reação de encanto no espectador: “-É igual a uma foto!”. Richter gosta que as pessoas percebam que sua pintura provém de uma fotografia, mas que a mesma não foi trabalhosamente copiada ou duplicada como pintura, pois apesar da semelhança com a fotografia, o quadro não parece a sua cópia. Não há intenção de oferecer, no lugar da realidade imediata, a sua reprodução ou, nas palavras do artista, um second hand world. Nesse sentido, ao produzir uma pintura a partir de uma foto, seu trabalho “fica muito mais próximo do informal do que qualquer tipo de realismo” (RICHTER, 1964-65 in: FERREIRA, COTRIM, 2006, p. 113), pois a foto reproduz o objeto de forma distinta de uma pintura do mesmo objeto. Segundo Richter:

o aparelho fotográfico não reconhece os objetos, mas . (...) [no desenho] o objeto é reconhecido em suas partes, medidas, proporções (...). Trata-se de uma abstração que deforma a realidade e promove uma estilização específica. Quando, com o auxílio de um projetor, examinamos os contornos, circunscrevemos esse processo circunstancial. Não se rata mais de reconhecer, mas de ver e fazer (informalmente) o que não foi reconhecido. E quando não se sabe o que se faz, também não se sabe o que deve ser alterado ou deformado (Ibid, p. 116-117).

Sailors, 1966
Óleo s/ tela
150 x 200cm

Uma foto tem por função primordial informar sobre um acontecimento, mas também pode ser vista como um quadro; porém, com outro significado. Por partir de fotos, Richter ressalta como é prazeroso perceber que uma coisa sem importância presente numa fotografia pode resultar em uma pintura potente, sem ter que inventar nada e ainda poder subverter alguns pressupostos da pintura, como cor, composição, espacialidade.

O artista afirma que seus quadros se diferenciam pela técnica. Richter não acrescenta ou retira nada das imagens fotográficas que utiliza para produzir a sua pintura, evita o excesso de atividade manual e utiliza o que denomina uma “técnica racional” porque, segundo ele, pinta de forma semelhante a uma câmera fotográfica. Para ele, interessam os planos, passagens, sucessões de tons, espaços; renunciando às intervenções ou alterações. O artista dissolve os limites e cria transições em fluxo entre planos, sem destruir a imagem original proveniente da fotografia, mantendo o seu conteúdo. Nas palavras do artista:

Borro para (...) tornar tudo igualmente importante e desimportante. (...) para que o quadro não tenha uma aparência artificial-artesanal, mas técnica, lisa e perfeita. (...) para que todas as partes se interpenetrem. Talvez eu também limpe assim o excesso de informação sem importância (Ibid, p. 117).

Swimmers, 1965
Óleo s/ tela
200 x 160cm

À medida que pinta quadros a partir de fotos, afirma que não se referem mais a uma situação determinada, carregando novos significados e informações: “quadros que são passíveis de interpretação e contém um sentido são quadros ruins” (IBID, p. 116). Segundo o artista, a foto se refere à espacialidade real, mas ao pintá-la, surge uma espacialidade especial, resultante da tensão entre o apresentado pela foto e o espaço do quadro.

O fato de eu pintar a partir de fotos (...) não é nada peculiar. Todos os que usam fotos ‘pintam’ de alguma maneira a partir delas. Se isso acontece com o pincel, fazendo uma colagem, com serigrafia ou papel fotográfico não é importante. (...) Me encanta dominar desse modo uma foto que vem parar nas minhas mãos. (...) eu gostaria de torná-la válida, visível, de fazê-la (...) é por isso que volto sempre a pintar a partir de fotos (...) me encanta estar entregue a algo dessa maneira, controlar tão pouco uma coisa. (Ibid, p. 115)

Após ler e reler esses textos, finalizo essas anotações retomando uma das falas de Richter sobre a pintura no clássico “Notas 1964-65”: Falar sobre pintura não tem nenhum sentido. À medida que se comunica algo com linguagem, altera-se o comunicado. Constroem-se essas qualidades que podem ser faladas e destroem-se aquelas que não podem ser faladas, mas que sempre são as mais importantes (Ibid, p. 119).

26 de outubro de 2011

ENTREVISTA ao site ART & ARTE

Abaixo, divulgo entrevista publicada hoje, no site ART&ARTE, concedida ao amigo Marcio de Oliveira Fonseca [editor]. A entrevista traz algumas imagens de trabalhos recentes [2011] e aborda um pouco de minha recente trajetória nas Artes Visuais [2009-2011]: influências, processo criativo e algumas reflexões sobre o cenário das Artes Visuais no Brasil.

http://arteseanp.blogspot.com/2011/10/conversando-sobre-arte-entrevistado_26.html

11 de outubro de 2011

Notas sobre Vilém Flusser e a "Filosofia da Caixa Preta"

FLUSSER, V. Filosofia da Caixa Preta: ensaios para uma futura filosofia da fotografia. São Paulo: Hucitec, 2011.

I. A imagem
Para o autor, imagens são superfícies que pretendem representar algo, traduzindo processos em cenas, tendo origem na capacidade de abstração [ou imaginação]. Podem ser interpretadas como uma mediação entre o homem e a realidade. Num scanning, o observador vagueia sobre a superfície da imagem, encontrando significados resultantes de duas intencionalidades: do seu produtor [emissor] e do seu espectador [receptor]. Imagens oferecem, então, um espaço interpretativo, onde o olhar do espectador circula e focaliza elementos centrais e secundários – de acordo com suas intencionalidades – construindo um contexto de relações e o que o autor denomina “consciência mágica”. Flusser adverte, entretanto, que ao invés de se servirem das imagens, os homens têm vivido em função delas, caracterizando uma idolatria e esquecendo o motivo da sua produção: orientá-los no mundo. Com o advento da escrita linear no segundo milênio a.C., surgiu o que o autor chama de “consciência histórica”, capaz de “rasgar” as imagens, significando o mundo [ou a realidade] indiretamente. A escrita passou a ser um “meta-código” da imagem, um tipo de “legenda” que a decifra. Entretanto, o autor ressalta que a relação entre texto [conceituação] e imagem [imaginação] é dialética, pois embora textos possam explicar imagens de forma conceitual, “rasgando-as”; imagens podem ilustrar textos, afim de “remagicizá-los”, fazendo com que a conceituação do texto e a imaginação da imagem se reforcem mutuamente. A partir da crise dos textos pelo que o autor denomina de “textolatria” e exemplifica com o esvaziamento do discurso científico, os textos não mais significam imagens, surgindo as “imagens técnicas”, aquela produzida por aparelhos [fotografia].

II. A imagem técnica

As imagens tradicionais são pré-históricas por precederem os textos [escrita], enquanto as imagens técnicas são pós-históricas por os sucederem. A aparente objetividade das imagens técnicas é ilusória, pois são símbolos abstratos que codificam textos em imagens. Interpretá-las é reconstruir os textos que significam. Entretanto, se na imagem tradicional havia um agente [pintor, desenhista, escultor] que se coloca entre a imagem e o seu significado, transferindo símbolos para superfície pela ação de sua mão; na imagem técnica, além do agente, há o aparelho [caixa preta] que se interpõe entre a imagem e o significado. Logo, a imagem técnica também é mágica, porém de forma distinta, uma vez que sucede a consciência histórica e conceitual do texto [escrita]. Segundo o autor, vivemos cada vez mais em função desta “magia imaginística” de segunda ordem, pois construímos práticas e representações a partir de tais imagens. Se a “magia pré-histórica” das imagens tradicionais, ritualizava mitos/modelos; a “magia pós-histórica”, da imagem técnica, ritualiza “programas” elaborados por “funcionários”, que preparam seus receptores para um “comportamento mágico programado”. Tais imagens substituem a consciência histórica pela consciência mágica de segunda ordem e a capacidade conceitual pela capacidade imaginativa de segunda ordem. Se os textos foram inventados no momento de crise das imagens [tradicionais], no intuito de ultrapassar a idolatria; as imagens técnicas foram inventadas no momento da crise dos textos, no intuito de superar a “textolatria”. Por fim, Flusser sugere que com o advento da imprensa e da escola obrigatória, se constituiu uma cultura ocidental fragmentada em três ramos: o pensamento conceitual “hermético”, inacessível ao senso comum; o pensamento conceitual “barato”, consumido pelo proletariado; e a imaginação marginalizada pela sociedade, constituída pelas imagens reunidas em museus e exposições. A função da imagem técnica é reunificar essa cultura, reintroduzindo as imagens no cotidiano, tornando imagináveis os textos herméticos e tornando visível a magia sob os textos baratos. Entretanto, para Flusser, as imagens técnicas têm falseado o conhecimento científico [hermético], substituído as imagens tradicionais ao invés de reintroduzi-las; e não tornado visível a magia subliminar dos textos baratos, substituindo-a por outra. Hoje, tudo tende a se tornar imagem técnica: o ato científico, artístico e político eterniza-se pela fotografia ou o filme.

IV. O gesto de fotografar
Um “movimento de caça” na “floresta da cultura” é como Flusser define o gesto de fotografar: um “gesto caçador”, onde aparelho e fotógrafo são uma unidade. Para o autor, o fotógrafo contesta as intenções de sua cultura; logo, “decifrar” fotografias pressupõe decifrar condições culturais dribladas, que não estão na superfície da imagem. As categorias fotográficas são espaço-temporais, tendo como centro o “objeto fotografável”, cercado de pontos de vista. Tais categorias estão inscritas no “programa do aparelho” e são manipuláveis pelo fotógrafo, que as escolhe por conveniência, ou seja, o aparelho funciona de acordo com as intenções do seu agente, ainda que estejam limitadas pelo número de categorias disponíveis no aparelho. Logo, é uma escolha “programada”. O fotógrafo só pode fotografar o “fotografável”, o que está inscrito no aparelho, não podendo fotografar processos. Entretanto, recorre a critérios alheios ao aparelho: estéticos, políticos, epistemológicos, manipulando seu output. Isso se dá pelo gesto técnico, que obriga o fotógrafo a transcodificar sua intenção em conceitos, codificados em imagens. Logo, fotografia é um ato conceitual, porque é técnico; é imagem de conceito transcodificado em cena. O fotógrafo constantemente se detém em dúvidas fenomenológicas e hesita quando se depara com o limite de uma categoria fotográfica, pois percebe outros pontos de vista acessíveis no programa. Assim, sua práxis é “programada”, por agir dentro das categorias do aparelho; e “pós-ideológica”, por reconhecer a possibilidade de escolhas em detrimento de um único ponto de vista. O gesto fotográfico é decisivo e apenas uma série de fotografias é capaz de revelar a intenção do seu autor, pois o produto final – imagem técnica – é resultante de uma série de decisões, não podendo ser identificada na superfície de uma fotografia isolada.

2 de outubro de 2011

LOUISE BOURGEOIS - "O retorno do desejo proibido" MAM/RJ

Ingressar na exposição de Louise Bourgeois, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM/RJ) é uma experiência impactante. A atmosfera soturna do primeiro salão da exposição e as primeiras esculturas anunciam ao espectador a força da obra da artista, nascida na França em 1911. Desenhos, pinturas, esculturas e instalações realizadas com diferentes materiais [mármore, borracha, bronze, papel etc.] tecem um diálogo denso com a teoria psicanalítica, as relações parentais, o corpo, a sexualidade e os estados de espírito, como agressão e medo. A exposição traz um catálogo em dois volumes, um deles dedicado aos escritos provenientes dos diários da artista, encontrados entre 2007 e 2010, onde Bourgeois estabelece relações entre sua obra - sobretudo a escultura - e a psicanálise. Abaixo, algumas imagens da exposição.

Maman
Bronze, 1999

Sono II
Mármore, 1967

Jano suspenso com jaqueta
Bronze e pátina, 1968

A destruição do pai
Gesso, látex, madeira, tecido, luz - 1974

Casal
Tecido, 2001

Sete na cama
Tecido e aço inox, 2001

Arco da histeria
Bronze, 1993